quinta-feira, 2 de maio de 2013

Lésbica fez o que a igreja mandou, não o que Jesus pediu



O portal UOL publicou uma entrevista com Lanna Holder e Rosania Rocha, fundadoras da igreja Comunidade Cidade de Refúgio, “uma igreja inclusiva, que recebe de portas abertas gays e lésbicas, sem julgamentos sobre suas orientações sexuais”, conforme a definição da matéria. Lanna se converteu à religião evangélica aos 21 anos e deixou de lado uma companheira. Pouco depois se casou com um pastor, teve um filho, e a religião passou a ser parte principal de sua vida. Pelas igrejas do Brasil, ela pregava sobre a “cura” a que havia sido submetida e passou a ser vista como um exemplo a ser seguido. Em 2002, ela conheceu Rosania em uma igreja evangélica em Boston, nos Estados Unidos. Rosania, que morava na cidade, onde era dirigente de louvor de uma igreja frequentada por brasileiros, era casada com um pastor, com quem teve um filho. As duas acabaram se envolvendo, deixaram os maridos e passaram a viver juntas. Confira abaixo trechos da entrevista que o Virgula Lifestyle fez por telefone com as pastoras [com meus comentários entre colchetes. – MB]:

Como foi a sua conversão e o processo para se tornar uma ex-lésbica?

Lanna Holder – Eu tinha 21 anos quando me converti à religião por achar que iria para o inferno por causa de minha orientação sexual [começo ruim: se converteu por medo, não por amor a Deus]. Eu usava drogas, era alcoólatra e quando me converti essa parte da minha vida deixou de existir [algo bom]. A religião funcionou como um processo de restauração na minha vida, mas a minha orientação sexual nunca foi alterada [a verdadeira conversão e a entrega total a Deus nos reorienta em todos os aspectos, o que não significa ausência de lutas]. Eu nunca vivenciei nenhum processo de cura, mesmo assim segui numa busca constante para deixar de ser lésbica. Eu pensava: “Deus me libertou das drogas e do alcoolismo e não consegue me libertar da homossexualidade?” Na igreja, a homoafetividade é apresentada ou como uma possessão demoníaca ou como uma doença [nem todas as igrejas encaram o assunto dessa forma]. Eu tentava lidar com as duas coisas. “Se é uma doença, Deus vai ter que curar e se eu estiver possessa de algum espírito maligno, Deus vai ter que me libertar.” Tentei por sete anos.

A religião faz uma lavagem cerebral contra a homossexualidade?
Lanna – Hoje eu cheguei à conclusão de que a religião demoniza tudo o que ela não explica e não entende [na verdade, a igreja deve “condenar” – para não usar a palavra “demonizar” – aquilo que é claramente apresentado como pecado na Bíblia e não aquilo que ela não explica ou não entende]. A homossexualidade é uma questão muito cheia de ramificações e interpretações. A própria igreja não chega a um consenso sobre o que pensa a respeito [depende da igreja; cristãos esclarecidos entendem que a Bíblia condena o estilo de vida homossexual e não o homossexual em si]. [...]

Você escondia sua verdadeira orientação sexual ou estava convicta de que havia sido realmente “curada”?

Lanna – Eu divulgava essa tal cura havia sete anos e pregava contra a homossexualidade. As pessoas me conheciam como “A missionária Lanna Holder, ex-lésbica”. Quando fui pra Boston, eu já estava conformada, achando que teria que viver minha vida toda escondendo minha verdadeira orientação sexual. Eu mentia, pois tinha certeza de que a minha orientação sexual era imutável, ao contrário do que eu fazia as pessoas acreditarem [viver de mentiras, negando o pecado, negando a luta é o caminha para a derrota; precisamos ser honestos com Deus e admitir que precisamos de ajuda e de verdadeiro arrependimento]. Fiz tudo o que a igreja mandou fazer para deixar de ser lésbica: quebra de maldição, cura interior, desligamento de alma, quebra de vínculo [em minha opinião, aqui está o problema: ela fez tudo o que a igreja mandou – rituais –, mas será que fez o que Jesus pediu? Entregou totalmente o coração a Ele concedendo-Lhe o pleno direito de transformar seus sentimentos, desejos, motivações?]. Depois de tudo, minha orientação sexual não mudou e então cheguei à conclusão de que fazia parte da minha natureza. Esconder foi a minha única opção. Fiquei casada com um homem, não porque era o que eu queria, mas porque era o imposto para que eu não fosse para o inferno. [Parece que o medo do inferno dominou a vida dela e sua religião. Uma pena. Ela diz que a homossexualidade faz parte da natureza dela. Na verdade, o pecado é que faz parte da nossa natureza caída e todos temos que lutar contra certas tendências. Não acho apropriado comparar um homossexual a um bandido, como fazem alguns religiosos. Ninguém é criminoso por ter suas lutas contra o pecado. Se fosse assim, todos seríamos criminosos. Prefiro comparar os desejos homossexuais aos desejos de um heterossexual viciado em sexo, por exemplo. Isso também não é correto e essa pessoa deverá lutar contra essa tendência – ainda mais se não for casada. Essa compulsão não faz dela um criminoso, mas também não poder ser usada como desculpa para não lutar contra. Em Cristo, há poder para vencer. Quem lê a Bíblia sabe que o mesmo Livro que condena o homossexualismo afirma que Deus ama todos os pecadores e está disposto a conceder-lhes poder para ser puros e santos. Como a Bíblia separa pecado e pecadores, os cristãos devem fazer o mesmo: amar pecadores e detestar o pecado que traz dor aos pecadores.]

Como foi o momento em que você se viu diante da paixão por uma mulher após tantos anos garantindo ser ex-lésbica?

Lanna – Nos conhecemos e no começo nos tornamos grandes amigas. Tivemos uma associação total na religião e quando chamavam a Rosania para cantar, me chamavam para pregar. A vida nos uniu. Viajamos pelos Estados Unidos juntas e eu confidenciava a ela os problemas que tinha em meu casamento, pois como o “exemplo” que eu era, não podia contar para ninguém o que eu enfrentava [é um grande erro confidenciar problemas do casamento para qualquer pessoa que seja, a menos que se trate de um profissional como um terapeuta]. Não falava sobre minha orientação sexual, mas conversávamos sobre diversas questões. Quando me dei conta, tudo o que eu fazia era pensando na Rosania. Eu queria estar ao lado dela e percebi que aquilo que eu sentia não era apenas amizade. Eu chorei muito, orei muito e perguntava a Deus quando aquilo passaria. Minha paixão por ela começou a confrontar com tudo aquilo que eu dizia ser errado em minhas pregações. [...] [Na verdade, esse é um erro que muitos heterossexuais também cometem. Quando amigos casados começam confidenciar e a manter muita proximidade, isso é um convite ao adultério. No caso de Lanna, sabedora de suas tendências homossexuais, ela deveria manter a guarda e evitar certas situações, assim como deve fazer um heterossexual. Não se trata de orientação sexual, mas de evitar o mal.]

Rosania – Muitas pessoas da igreja são hipócritas, pregam uma coisa e fazem outra. Tem gente casada que prega para multidões e sai para pegar as menininhas da cidade, tira a roupa na frente da câmera e coisas do gênero. São pessoas assim que nos massacram. Eu me sinto muito mais em paz com Deus sendo o que sou de verdade. [...] [Típica evasiva de quem se sente condenado: “Há outros que fazem coisa pior.” Evidentemente que existe isso. Existem muitos hipócritas na igreja? Sim, e sempre há lugar para mais um. Mas nosso modelo nunca deve ser as pessoas, quaisquer que sejam. Nosso modelo é Jesus e Ele nunca apoiou o estilo de vida homossexual, como também nunca apoiou o adultério e o divórcio, por exemplo.]

Rosania – Não tem como uma pessoa afirmar que uma família constituída por gays não é coisa de Deus. Somos uma família feliz que vive em harmonia. [...]

Lanna – A bíblia do gay é a mesma do hétero, a única diferença é que interpretamos diferente a questão da homossexualidade. Não somos ativistas gays, mas acreditamos na inclusão. [...] [Lanna e Rosania têm todo o direito de viver como bem entendem, pois Deus nos dotou a todos do livre-arbítrio. Mas elas – nem ninguém – não têm o direito de reinterpretar as Escrituras para acomodá-las a suas escolhas. Vários textos bíblicos muito claros condenam o estilo de vida homossexual e dizer o contrário disso é cometer uma violência ao texto sagrado. A igreja tem, sim, que ser inclusiva, como querem Lanna e Rosania, mas não para acobertar o pecado e, sim, para resgatar o pecador.]

sábado, 27 de abril de 2013

Papa fala sobre a volta de Jesus


[Na] quarta-feira, o papa Francisco, em sua habitual catequese semanal, continuou aprofundando no Símbolo da fé: o Credo. Com uma praça de São Pedro, mais uma vez, cheia de jovens e peregrinos, o papa dirigiu-lhes estas palavras:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! No Credo, professamos que Jesus “virá novamente na glória para julgar os vivos e os mortos”. A história humana começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e conclui com o juízo final de Cristo. Muitas vezes esquecemos esses dois polos da história e, sobretudo, a fé no retorno de Cristo e no juízo final, às vezes não é assim tão clara e forte no coração dos cristãos. Jesus, durante Sua vida pública, refletiu muitas vezes na realidade da Sua última vinda. Hoje eu gostaria de refletir sobre três textos evangélicos que nos ajudam a entrar neste mistério: o das dez virgens, o dos talentos e o do juízo final. Todos os três fazem parte do discurso de Jesus sobre o fim dos tempos, no Evangelho de São Mateus.

Em primeiro lugar lembremos que, com a Ascensão, o Filho de Deus levou para junto do Pai a nossa humanidade assumida por Ele e quer atrair todos a si, chamar todo o mundo para ser acolhido nos braços abertos de Deus, para que, no fim da história, toda a realidade seja entregue ao Pai. Há, no entanto, este “tempo imediato” entre a primeira vinda de Cristo e a última, que é precisamente o momento que estamos vivendo. Neste contexto do “tempo imediato”, coloca-se a parábola das dez virgens (cf. Mt 25,1-13). São dez jovens que esperam a chegada do esposo, mas ele atrasa e elas caem no sono. Ao anúncio repentino de que esposo está chegando, todas se preparam para acolhê-lo, mas enquanto cinco dessas, sábias, têm óleo para alimentar as próprias lâmpadas, as outras, tolas, ficam com as lâmpadas apagadas porque não o têm; e enquanto procuram chega o esposo e as virgens tolas encontram fechada a porta que leva à festa nupcial. Batem com insistência, mas agora é tarde, o esposo responde: Não vos conheço.

O Esposo é o Senhor, e o tempo de espera da Sua chegada é o tempo que Ele nos presenteia, a todos nós, com misericórdia e paciência, antes da Sua vinda final; é um tempo de vigilância; tempo em que devemos ter acesas as lâmpadas da fé, da esperança e da caridade, de ter aberto o coração para o bem, para a beleza e para a verdade; tempo de viver segundo Deus, porque não conhecemos nem o dia, nem a hora da volta de Cristo. O único que nos é pedido é estarmos preparados para o encontro – preparados para um encontro, para um lindo encontro, o encontro com Jesus –, que significa saber ver os sinais da sua presença, ter viva a nossa fé, com a oração, com os Sacramentos, ser vigilantes para não dormirmos, para não nos esquecermos de Deus. A vida dos cristãos adormecidos é uma vida triste, não é uma vida feliz. O cristão deve ser feliz, a alegria de Jesus. Não durmamos!

A segunda parábola, a dos talentos, nos faz refletir sobre a relação entre como empregamos os dons recebidos por Deus e o Seu retorno, quando nos pedirá contas de como os temos utilizado (cf. Mt 25, 14-30). [...] A espera da volta do Senhor é o tempo da ação – nós estamos no tempo da ação –, o tempo de frutificar os dons de Deus não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo de fazer sempre crescer o bem no mundo. E especialmente neste tempo de crise, hoje, é importante não fechar-se em si mesmo. [...]

Finalmente, uma palavra sobre o juízo final, no qual se descreve a segunda vinda do Senhor, quando Ele julgará todos os seres humanos, vivos e mortos (cf. Mt 25, 31-46). A imagem usada pelo evangelista é a do pastor que separa as ovelhas dos cabritos. À direita são colocados aqueles que agiram de acordo com a vontade de Deus, socorrendo o próximo faminto, com sede, estrangeiro, nu, doente, preso – disse “estrangeiro”: penso em tantos estrangeiros que estão aqui na diocese de Roma: o que fazemos por eles? – enquanto à esquerda vão aqueles que não socorreram o próximo. Isso nos diz que seremos julgados por Deus sobre a caridade, sobre como O amamos nos nossos irmãos, especialmente nos mais frágeis e necessitados. É claro, devemos sempre ter em mente que somos justificados, somos salvos pela graça, por um ato de amor gratuito de Deus que sempre nos precede; sozinhos, não podemos fazer nada. A fé é principalmente um dom que nós recebemos. Mas para dar frutos, a graça de Deus requer sempre a nossa abertura a Ele, a nossa resposta livre e concreta. Cristo vem para levar-nos à misericórdia de Deus que salva. O único que nos é pedido é confiar nEle, corresponder ao dom do Seu amor com uma vida boa, feita de ações animadas pela fé e pelo amor.

Queridos irmãos e irmãs, que olhar para o juízo final nunca nos dê medo; mas nos leve a viver melhor o presente. Deus nos oferece com misericórdia e paciência este tempo para que aprendamos a reconhecê-Lo a cada dia nos pobres e nos pequenos, nos comprometamos pelo bem e sejamos vigilantes na oração e no amor. O Senhor, no fim da nossa existência e da história, possa reconhecer-nos como servos bons e fieis. Obrigado.

(Zenit)

 Nota Michelson Borges: Lembro-me de que, quando era católico (antes dos anos 1990), eu nunca tinha ouvido falar na segunda vinda literal de Jesus, até porque a teologia dominante aqui na América do Sul era a da Libertação, com sua pregação em torno de um “reino” de conquistas sociais. Ao mesmo tempo em que o papa fala sobre o retorno de Jesus, ele (assim como seus dois antecessores) dá grande ênfase à observância do domingo. Resta saber como ele vai orientar seu rebanho com respeito à maneira como o verdadeiro Cristo virá e que está claramente descrita na Bíblia. E se esse Cristo vindouro reafirmar a crença no domingo como dia sagrado, em franca oposição à Palavra? E se ele “descer” à Terra e começar a proclamar a paz incentivando a união de todos sob a liderança de um (nos moldes do movimento ecumênico defendido pelo papa)? É interessante a menção do papa à salvação pela graça, o que certamente agrada aos ouvidos protestantes, e há uma curiosa contradição nestas palavras de Francisco: “A história humana começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e conclui com o juízo final de Cristo.” Os dois papas anteriores afirmaram que a evolução é um fato e que, portanto, a história de Adão e Eva seria mítica. Se a história das origens (e da queda) é mitológica, por que deveríamos acreditar que o juízo final é fato, uma vez que ambos os eventos estão relacionados (como bem destacou o papa)? Sem dúvida, essa pregação do papa sobre a volta de Jesus é realmente importante e até surpreendente, mas é preciso acompanhar atentamente os desdobramentos disso.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Papa renuncia ao cargo


O papa Bento XVI vai renunciar a seu pontificado em 28 de fevereiro. Bento XVI anunciou a renúncia pessoalmente, falando em latim, durante o consistório para a canonização de dois mártires. O Vaticano confirmou a notícia e afirmou que o papado vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido. Em comunicado, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai deixar a chefia da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por “não ter mais forças” para exercer o cargo. O pontífice afirmou que está “totalmente consciente” da gravidade de seu gesto. “Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com total liberdade declaro que renunciou ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro” [sic], disse Joseph Ratzinger, segundo comunicado do Vaticano.


Leia a íntegra do discurso de renúncia do papa Bento XVI:

“Caros irmãos:

Convoquei-os para este consistório, não apenas para as três canonizações, mas também para comunicar a vocês uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Após ter repetidamente examinado minha consciência perante Deus, eu tive certeza de que minhas forças, devido à avançada idade, não são mais apropriadas para o adequado exercício do ministério de Pedro. Eu estou bem consciente de que esse ministério, devido à sua natureza essencialmente espiritual, deve ser levado não apenas com palavras e fatos, mas não menos com oração e sofrimento. Contudo, no mundo de hoje, sujeito a mudanças tão rápidas e abalado por questões de profunda relevância para a vida da fé, para governar o barco de São Pedro e proclamar o Evangelho, é necessário tanto força da mente como do corpo, o que, nos últimos meses, se deteriorou em mim numa extensão em que eu tenho de reconhecer minha incapacidade de adequadamente cumprir o ministério a mim confiado. Por essa razão, e bem consciente da seriedade desse ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério como Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, confiado a mim pelos cardeais em 19 de abril de 2005, a partir de 28 de fevereiro de 2013, às 20h, a Sé de Roma, a Sé de São Pedro, vai estar vaga e um conclave para eleger o novo Sumo Pontífice terá de ser convocado por quem tem competência para isso.

“Caros irmãos, agradeço sinceramente por todo o amor e trabalho com que vocês me apoiaram em meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. E agora, vamos confiar a Sagrada Igreja aos cuidados de nosso Supremo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, e implorar a sua santa mãe Maria, para que ajude os cardeais com sua solicitude maternal, para eleger um novo Sumo Pontífice. Em relação a mim, desejo também devotamente servir a Santa Igreja de Deus no futuro, através de uma vida dedicada à oração.”




Nota Michelson Borges: Segundo o porta-voz do Vaticano, Frederico Lombardi, a notícia foi uma “surpresa”. Nascido na Alemanha no dia 16 de abril de 1927, Ratzinger é o pontífice número 265 da Igreja Católica e o sétimo Chefe de Estado do Vaticano. O papa viria ao Brasil em julho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Segundo o jornal The Guardian, até que um novo Papa seja escolhido, o posto ficará vago. O pontificado de Bento 16 começou em abril de 2005, após a morte do papa João Paulo II, e o último papa a renunciar foi Gregório XII, em 1415. Segundo informações do jornal espanhol El País, um dos grandes favoritos para suceder Bento XVI é o italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, ex-patriarca de Veneza e membro do movimento ultracatólico Comunhão e Liberação.

Em março de 1977, Ratzinger tornou-se arcebispo de Munique e Freising e, menos de três meses depois, foi tornado cardeal pelo papa Paulo VI. Já sob João Paulo II, em 1981, Ratzinger tornou-se o líder da Congregação para a Doutrina da Fé (a velha Inquisição, com outro nome). Nesse cargo, Ratzinger reprimiu com força os teólogos que saíram de sua doutrina rígida e alienou outras denominações cristãs dizendo que não são “igrejas verdadeiras”. Chamado de Guardião do Dogma, ele combateu o sacerdócio feminino e condenou a homossexualidade, além de ser contra a comunhão aos divorciados que voltarem a se casar e a impedir o crescimento do laicismo dentro da Igreja. Por isso e outras coisas, Bento XVI não era dos papas mais populares (como o carismático João Paulo II), mas foi um “cérebro” da igreja, reajustando-a ao conservadorismo da Santa Sé.

O que se pode esperar do próximo papa? Será intelectual como Ratzinger ou mais enérgico e do “corpo a corpo”? Será carismático ou linha dura? Aguardemos o resultado do próximo conclave...

As especulações de costume hão de se iniciar, das coerentes às mais absurdas. Assinalamos apenas a percepção de que nada do que ocorre na igreja romana seja por acaso, especialmente no momento que estamos vivendo. Aguardemos o desenrolar dos fatos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Religiões no mundo

A diversidade religiosa nos mostra o desafio que temos de enfrentar para propagar o evangelho.

Podemos perguntar como é que conseguiremos - mesmo não sabendo responder exatamente a esta questão, a verdade é que, sem dúvida alguma, isso acontecerá.

A questão é saber se estamos prontos para fazer parte desse movimento que irá abalar a Terra...

Google acusa governos de vigilância online

"Mais e mais governos em todo o mundo estão a pedir ao Google para retirar conteúdo ou para disponibilizar dados de utilizadores. Esta é a principal conclusão do relatório de transparência relativo ao primeiro semestre de 2012, disponibilizado na última terça-feira pelo Google.

É a sexta vez que o gigante de serviços de Internet divulga dados relativos à transparência e segundo a empresa os pedidos dos governos para ter acesso a dados de utilizadores têm aumentado constantemente desde o lançamento do primeiro relatório.

Na primeira metade de 2012 o Google registou 20.938 consultas de entidades governamentais de todo o mundo para obter informações sobre 34.614 contas de utilizador. No semestre anterior (Julho a Dezembro de 2011) tinham sido feitos 18.257 pedidos deste tipo. No caso português o Google recebeu 187 pedidos de divulgação de dados do utilizador de contas ou de serviços. Esse número representa um aumento face ao período homólogo de 2011, em que se registaram 161 pedidos.

O número de solicitações governamentais para retirar conteúdo manteve-se relativamente inalterado entre 2009 e 2011, mas teve um aumento considerável entre Janeiro e Junho de 2012. Nesse período houve 1791 pedidos para remover 17.746 peças, o que significa uma subida de 71%, relativamente ao semestre anteriormente analisado (Julho a Dezembro de 2011).

No relatório é possível ver os resultados por país. Os Estados Unidos foram o país com mais pedidos (7969). Seguem-se a Índia (2319), o Brasil (1566), a França (1546), a Alemanha (1533) e o Reino Unido (1425).

O governo turco foi aquele que fez mais pedidos para remoção de conteúdos: 501 no total. Seguiram-se os Estados Unidos (273), a Alemanha (247), o Brasil (191) e o Reino Unido (97).(...)

No blogue oficial do Google, Dorothy Chou, analista sénior de políticas da companhia, escreveu que a informação divulgada pelo Google mostra apenas uma pequena parte da forma como os governos interagem com a Internet. A esperança da empresa, afirmou Chou, é a de que “com o tempo, a divulgação de mais dados [por outras empresas] ajude a reforçar o debate público sobre a melhor forma de manter a Internet livre e aberta”." Fonte: Diário de Notícias (negritos meus para destaque)

Nota: quando os governos tem ao dispor uma ferramenta tão fácil para recolher (e controlar) informações, creio que a tendência será para usá-la cada vez mais, colocando em causa essa liberdade e abertura que a Internet poderia promover, e não mantendo-a, como a analista da Google sugere.

Além disso, quando falamos em recolha e controlo de informação, as implicações são tantas que nem sabemos por onde começar.

Mas, podemos imaginar onde pode, no extremo, terminar: em perseguição, principalmente de consciências.

Negócios do ano: Pornografia

Deu na Veja desta semana: “O fenômeno Cinquenta Tons de Cinza está chegando à marca dos 2,4 milhões de livros vendidos no Brasil em apenas quatro meses. O volume 1 da trilogia alcançou 1,13 milhão de exemplares; o segundo, 700.000; e o último, lançado há um mês, vendeu 550.000 cópias. Isso significa que a Intrínseca ganhou na Mega-Sena com a compra dos direitos do livro. Pagou 780.000 dólares pela trilogia (um valor altíssimo no mercado editorial) e vai botar líquidos nos cofres da editora cerca de 20 milhões de reais dos 80 milhões de reais que os três livros de E. L. James faturaram até agora.” Recentemente, fiz uma viagem a Brasília e, como sempre costumo fazer quando sobra um tempinho antes do embarque, visito livrarias nos aeroportos. Não pude deixar de ver os tais livros de James, afinal, havia pilhas deles em lugares de destaque e cartazes de divulgação. A capa discreta, com a foto de um nó de gravata (no volume 1), esconde o conteúdo sexualmente explícito misturado com romance barato. E o fenômeno se retroalimenta. Com tanta exposição na mídia, as pessoas ficam curiosas e compram a série badalada. Aí comentam com os/as amigos/amigas que também compram para conferir ou simplesmente para estar “na moda”. Isso aumenta as vendas e garante mais presença na mídia.
No último trecho de minha viagem de volta para casa, enquanto esperava o ônibus na rodoviária em São Paulo, vi uma senhora (creio que na casa dos sessenta e poucos anos) com um dos volumes na mão, folheando-o com interesse. O fenômeno editorial está nas ruas (não apenas nos aeroportos), e fiquei pensando no que deve ter motivado aquela senhora a comprar um livro que trata de sadomasoquismo e descreve cenas detalhadas de sexo oral, de fornicação entre um pervertido e uma recém-ex-virgem, e otras cositas mas.
Assim caminha a humanidade. E assim caminha nosso país, onde poucos leem livros, mas, quando resolvem ler, é isso o que consomem.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Alemanha quer proibir sexo com animais

A Alemanha planeja multar em até 25 mil euros as pessoas que mantiverem relações sexuais com animais. Mas os zoófilos pretendem combater a medida. Eles dizem que não há nada de errado com o sexo consensual e que as verdadeiras violações dos direitos dos animais estão acontecendo no setor agrícola de criação de animais.

O governo alemão pretende proibir a zoofilia – ou seja, a prática de sexo com animais – como parte de uma emenda à lei de proteção aos animais do país. Mas deverá enfrentar a reação da comunidade zoófila da Alemanha, estimada em mais de 100 mil pessoas.

A zoofilia foi legalizada na Alemanha em 1969, e grupos de defesa dos animais têm feito lobby pela a proibição em uma campanha que tem sido alimentada por um debate acalorado em fóruns da internet nos últimos anos.

Agora, o governo de centro-direita do país quer proibir o uso de animais “para atividades pessoais sexuais ou sua disponibilização a terceiros para atividades sexuais e, assim, obrigá-los a se comportar de maneiras inadequadas para a sua espécie”, disse Hans-Michael Goldmann, presidente do Comitê de Agricultura do parlamento alemão.

No futuro, manter relações sexuais com um animal poderá ser punido com uma multa de até 25 mil euros (US$ 32.400).

Os zoófilos estão muito irritados. “Vamos tomar medidas legais contra isso”, declarou à Spiegel Online Michael Kiok, presidente do grupo zoófilo de pressão ZETA (Engajamento Zoófilo para a Tolerância e a Informação). “Nós vemos os animais como parceiros, e não como um meio de gratificação. Nós não os forçamos a fazer nada”.

Ele disse que fazer sexo com animais de estimação não é degradante para os animais, e que eles deixam claro quando não estão interessados.

“As pessoas têm tentado criar a falsa impressão de que nós ferimos animais”, disse Kiok, que vive com um pastor alemão chamado Cessie. Ele afirmou que tem sentimentos especiais pelos animais desde que tinha quatro ou cinco anos, e que o fascínio ganhou elementos eróticos durante sua adolescência.

Zoofilia ainda é legal na Dinamarca
A prática de sexo com animais foi proibida em vários países europeus, incluindo a França, a Suíça e até a Holanda, mais liberal. A Suécia também está preparando uma proibição para a prática, disse Kiok. “Mas ainda é legal (fazer sexo com animais) na Dinamarca”.

Na maior parte dos casos, os parceiros sexuais tendem a ser cães, pois eles são animais de estimação muito comuns atualmente. Antigamente, os parceiros sexuais mais comuns costumavam ser vacas, cavalos, ovelhas, cabras e porcos, disse Kiok. Pesquisas sobre hábitos sexuais realizadas na década de 1940 sugeriram que de 5% a 8% dos homens e de 3% a 5% das mulheres praticavam a zoofilia. “Esses dados colocam o número (de praticantes da zoofilia) na Alemanha em 1,6 milhão de pessoas, mas essa é uma cifra definitivamente alta demais. Meu palpite é que há bem mais de 100 mil praticantes (da zoofilia na Alemanha)”, disse Kiok.

Ele criticou a emenda legal prevista pelo parlamento, pois ela não proibirá a castração sem anestesia de leitões pela indústria de processamento de carne nem a marcação de cavalos. Ele também disse que a indústria de criação abusa sexualmente dos animais ao permitir que os criadores enfiem varas elétricas no traseiro de javalis para fazê-los ejacular e amarrem as éguas de modo que elas possam ser montadas por garanhões.

Kiok sabe qual será sua prioridade se a lei for aprovada pelo parlamento alemão: “eu vou lutar para ficar com o meu cão”.

Nota: Podemos notar que quando o país mais rico for ou "desenvolvido", menos a noção do certo ou errado na visão de Deus as pessoas tem. A história já nos mostrou e continua nos mostrando que uma nação sem Deus acaba indo por caminhos que Ele condena. Infelizmente o homem esquece de Deus e busca prazeres que Ele nunca sonhou para o humano.

Fonte: UOL