sexta-feira, 24 de abril de 2009

Princípios da Lei de Deus


“E disse Deus: Haja luz. E houve luz.” (Gênesis 1:3). Deus criou todas as coisas, apenas ordenando. Tudo veio à existência pelo comando de Sua voz. Mas, duas coisas Deus criou com as próprias mãos. Apenas duas.

A primeira foi o homem: Gênesis 2:7 – “Formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tornou-se alma vivente.”

A segunda foi a Sua lei, os Dez Mandamentos. Êxodo 31:18 – “Quando o Senhor acabou de falar com Moisés no Monte Sinai, deu-lhe as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus.”

Os Dez Mandamentos

Êxodo 20:1-17 – “Então falou Deus todas estas palavras: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.

1º Mandamento: “Não terás outros deuses diante de Mim.”

2º Mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.”

3º Mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, pois o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.”

4º Mandamento: “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu escravo, nem a tua escrava, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas. Pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas ao sétimo dia descansou. Por isso abençoou o Senhor o dia de sábado, e o santificou.”

5º Mandamento: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.”

6º Mandamento: “Não matarás.”

7º Mandamento: “Não adulterarás.”

8º Mandamento: “Não furtarás.”

9º Mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.”

10º Mandamento: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu escravo, nem a sua escrava, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.”

O que se escreve na pedra não se apaga mais. Foi daí que o Direito emprestou a expressão “cláusulas pétreas”, que representam as condições estabelecidas na Constituição do País que não podem ser mudadas. A palavra “pétrea” significa pedra, simbolizando o que não se pode apagar ou alterar, exatamente como os mandamentos escritos na pedra pelo dedo de Deus.

A perpetuidade da lei de Deus

Mateus 5:17-18 – “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para cumpri-los. Em verdade vos digo que até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.”

O Céu e a Terra passaram? Estão os Dez Mandamentos em vigor? Segundo Jesus Cristo, sim.

A justiça dos escribas e fariseus

Mateus 5:20 – “Pois vos digo que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.”

Como era a justiça dos fariseus? Era uma justiça baseada apenas em atos exteriores. Eram cumpridores da lei, mas, em pensamentos e intenções, eram impuros e duros de coração. Por essa razão, Jesus os comparou com os sepulcros caiados. Mateus 23:27-28 – “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos, e de toda imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.”

Jesus disse aos escribas e fariseus: “Quem os vê pensa que são pessoas íntegras e honestas. Mas Eu os conheço por dentro. Parecem sepulcros caiados: exteriormente justos e interiormente cheios de hipocrisia e maldade.” Por isso, se a nossa justiça for igual à dos fariseus, jamais entraremos no reino de Deus.

Mateus 5:27-28 – “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já cometeu adultério com ela.”

Adultério, de acordo com o pensamento mundano moderno, se configura quando uma mulher casada é flagrada no ato sexual com um homem que não é seu marido (no caso do homem, a sociedade patriarcal talvez já nem considere adultério). Mas isso é justiça dos escribas e fariseus. Isso é ato exterior. Para Deus, o adultério engloba muito mais do que isso. É algo que já ocorreu antes disso. O pecado começa na mente. Depois é que ele se exterioriza e se torna visível através do ato.

Por isso, ao afirmar que a nossa justiça deve exceder a dos escribas e fariseus, Jesus quis ensinar que a Lei de Deus alcança os pensamentos e intenções do coração. Na verdade, Ele quis deslocar a nossa atenção para os princípios que estão por trás de cada mandamento.

1º Princípio: Lealdade

“Não terás outros deuses”. É preciso ser leal a Deus. Nada pode ocupar o Seu lugar em nossa vida. O que consome maior espaço em nossa mente passa a representar um deus. Esse pode ser o dinheiro, o poder, a fama, o trabalho, o casamento, o namoro, a cultura, o lazer... Qualquer coisa que ocupe o primeiro lugar em nossa vida quebra o princípio da lealdade.

2º Princípio: Adoração

“Não adorarás imagem”. Existem religiões que pregam exatamente o contrário. Aliás, uma determinada religião até excluiu esse mandamento. Mas, além de não fazer imagens, o mandamento ordena: “Não te encurvarás a elas”. Significa que não se deve ajoelhar diante de uma imagem. Só Deus é digno de adoração. O homem tem a tendência de transferir para objetos a sua crença; sua fé. Embora faça isso de boa fé, a prática é recriminada por Deus – é abominável aos Seus olhos.

3º Princípio: Reverência

“Não tomarás o nome de Deus em vão”. Deus é digno de todo o respeito. Deve haver muito cuidado ao se mencionar o Seu santo nome.

Há tempos atrás, uma conhecida apresentadora de televisão entrevistava uma moça que havia feito um filme pornográfico. Em determinado momento, ela perguntou à garota: “Por que o seu filme fez tanto sucesso?” “Ah, porque Deus tem abençoado muito o meu trabalho”, respondeu a garota. Pois é... isso é usar o nome de Deus em vão. Essa garota, digna de pena, não tem a menor noção sobre quem seja Deus. Se ela O conhecesse, jamais teria proferido tamanho disparate.

4º Princípio: Santidade

“Lembra-te do sábado, para o santificar”. Esse mandamento, dada a sua importância, será objeto de estudo futuro e individualizado. A série irá abordar em breve o assunto.

5º Princípio: Respeito à autoridade

“Honra a teu pai e a tua mãe”. Deus é sábio. Crianças e jovens que não respeitam seus pais, jamais respeitarão a Deus. Criança que não respeita os pais em casa; não respeita o professor na sala de aula; não respeita o diretor, quando se tornar adulta não respeitará o Delegado; não respeitará a Deus.

Por quê? Porque não formou o conceito de autoridade. Esse é o problema dos jovens na educação moderna. Não têm o conceito de autoridade.

6º Princípio: Respeito à vida

“Não matarás”. Esse princípio é simples. É não matar e ponto. Isso inclui o aborto e tudo o mais. Esse mandamento não tem atenuante.

7º Princípio: Fidelidade

“Não adulterarás”. Jesus ampliou esse mandamento, estendendo-o até o ponto de alcançar os pensamentos e intenções do coração. O “olhar com intenção impura” é pecado.. Mateus 18:9 – “E se o teu olho te escandalizar, arranca-o”. Se você não quer comprar na loja de Satanás, não fique espiando em sua vitrine.

8º Princípio: Honestidade

“Não furtarás”. Esse mandamento dispensa comentários.

9º Princípio: Veracidade

“Não prestarás falso testemunho”. Não faltar com a verdade.

10º Princípio: Contentamento

“Não cobiçarás”. Não desejar o que não nos pertence. A mesma igreja que excluiu o segundo mandamento dividiu o décimo em duas partes: não cobiçar a mulher do próximo e não cobiçar as coisas alheias.

Há uma diferença entre inveja e cobiça. Cobiçar é desejar o que o outro tem. Invejar é não querer que o outro tenha. A inveja é pior do que a cobiça. Enquanto na cobiça se deseja ter o carro do vizinho, na inveja, risca-se o carro dele.

Os dois princípios fundamentais que embasam a Lei de Deus

Mateus 22:36-40 – “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.”

A pergunta capciosa fora formulada pelos fariseus: “Mestre, qual é o grande mandamento?” A resposta de Jesus resume os Mandamentos em dois princípios fundamentais: o amor a Deus e o amor ao próximo. Quando se observam os quatro primeiros mandamentos, vê-se regulada a relação do homem com Deus (relação vertical); o amor a Deus.

1) Não terás outros deuses diante de Mim.

2) Não adorarás imagens.

3) Não usarás o nome de Deus em vão.

4) Lembra-te do sábado, para o santificar.

Os seis últimos mandamentos, por sua vez, retratam a relação do homem com o homem (relação horizontal); o amor ao próximo.

5) Honra a teu pai e a tua mãe.

6) Não matarás.

7) Não adulterarás.

8) Não furtarás.

9) Não dirás falso testemunho.

10) Não cobiçarás.

Portanto, o que Jesus fez foi apontar os dois princípios básicos dos quais “depende toda a lei”: o amor a Deus e o amor ao próximo. Resta claro que o elemento comum entre eles é o amor.

Ao assim agir, Jesus não aboliu nem modificou a Lei de Deus. Ao contrário, Ele próprio assegurou que “nem um jota ou um til se omitirá da lei”, até que o Céu e a Terra passem. Jesus apenas resumiu os Dez Mandamentos, com o propósito de definir nossos deveres para com Deus (mandamentos 1 a 4) e nossos deveres para com nossos semelhantes (mandamentos 5 a 10).

A lei não salva

Não se pode cometer o equívoco de imaginar que a salvação possa ser obtida através da observância da lei. Isso é salvação pelas obras, expressamente repudiada na Palavra de Deus.

A obediência não é o meio de salvação. O que salva é a fé em Jesus. Efésios 2:8-9 – “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé – e isto não vem de vós, é dom de Deus – não das obras, para que ninguém se glorie.”

Então, surge a pergunta inevitável: Se a salvação é alcançada por meio da fé, e não das obras, porque é preciso guardar os Mandamentos? Parece haver, aqui, uma aparente incoerência. Mas não há.

Uma das confusões mais comuns é o erro de não se fazer distinção entre o que é preciso fazer para ser moral e o que é preciso fazer para ser salvo.

A função da lei

Romanos 7:7 – Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão por intermédio da lei”.

Esse verso deixa claro que a função da Lei de Deus não é salvar; é apontar o pecado. Não fosse a lei e não saberíamos o que é pecado. I João 3:4: “Todo aquele que comete pecado, também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei”. Violar o Código Penal é crime. Violar o Código de Trânsito é infração. Violar a Lei de Deus é pecado.

A primeira função da lei é de natureza jurídica: prevenir transgressões. A segunda é teológica: definir o que é pecado. Romanos 3:20 – “Pela lei vem o conhecimento do pecado”.

O espelho divino

Tiago 1:23 – “Se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla no espelho o seu rosto natural e, depois de se contemplar a si mesmo, vai-se e logo se esquece de como era.”

Nesse contexto, a lei funciona como um espelho, revelando-nos como realmente somos. O espelho revela nossas manchas e imperfeições, mas é incapaz de removê-las. Assim é a lei de Deus. Revela nossos problemas, diz-nos que somos pecadores, mas não pode fazer nenhuma mudança. Realiza um papel importante – o de revelar o pecado – mas não pode remediar a situação.

A lei não limpa o pecado; só mostra. Quando vejo, através do espelho, que meu rosto está sujo, busco a água para lavá-lo. A água é Cristo Jesus. Portanto, a função da lei é me conduzir para Jesus.

Romanos 10:4 – “O fim [finalidade última, alvo] da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.”

A lei nos conduz a Cristo, para sermos salvos. Isso é justificação. E Cristo nos envia à lei, para sermos transformados. Isso é santificação. Pela lei, o pecador é instruído a buscar a salvação fora da lei, em Cristo (Romanos 3:21). A lei nunca foi o meio pelo qual se obtém a salvação.

A salvação pela fé não anula a lei

Romanos 3:31 – “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes confirmamos a lei.” A graça não significa licença para desobedecer. A graça não anula o livre-arbítrio. Deus não força as pessoas a obterem a salvação. Mas, a obediência é a evidência de que a fé operou para a salvação. João 14:15 – “Se me amais, guardareis os meus mandamentos..”

Não guardamos a lei para nos salvar. Nós a guardamos porque estamos salvos. A obediência é a demonstração do verdadeiro amor a Deus. Ela não compra as bênçãos, como se Deus fosse obrigado a dá-las; a obediência, ao contrário, cria um ambiente onde a bênção da fé pode se manifestar.

Obediência e Liberdade

Tiago 2:12 – “Falai de tal maneira e de tal maneira procedei, como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade”.

Custa-nos crer que, enquanto a autoridade civil reconhece que a obediência à lei significa liberdade, ainda haja quem ensine que obedecer à Lei de Deus seja escravidão. Pensemos um pouco:

Quem é escravo – aquele que não pode viver sem drogas ou quem não as usa? Quem é livre – aquele que obedece às leis do País ou o que as transgride? Que liberdade há para o criminoso? Aquele que transgride a lei será preso – perderá sua liberdade. O cidadão que obedece às leis é um homem livre. Por isso, Tiago chama os Dez Mandamentos de “lei da liberdade”.

No encontro com a mulher apanhada em flagrante adultério, Jesus lhe disse:– “Nem eu também te condeno. Vai, e não peques mais” (João 8:11).

Essa mulher, apanhada em adultério, foi salva pela lei ou pela graça? Pela lei dos judeus ela deveria ser apedrejada até à morte. Pela lei ela estava condenada. Portanto, ela foi salva pela graça. Mas, uma vez salva pela graça, qual a instrução que ela recebeu de Jesus? “Não peques mais!”

Como cristãos cremos que fomos salvos na cruz, ao aceitar o sacrifício de Jesus Cristo. Seu discurso é o mesmo hoje, Jesus diz: - “Não peques mais”.

Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado em palestra do advogado Mauro Braga.

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